1. EDITORIAL 5.6.13

"A ABERRAO DA FBRICA DE NOVOS MUNICPIOS"
 Carlos Jos Marques, diretor editorial 

Uma bomba-relgio que dispara novos gastos pblicos sem fim est para ser armada. Ela foi montada a partir de um projeto de lei complementar que devolve s Assembleias Legislativas dos Estados o poder de criar novos municpios. A proposta est para ser votada nos prximos dias na Cmara dos Deputados e representa mais uma aberrao oportunista de polticos desejosos de alargar o horizonte de seus currais eleitorais. O casusmo, se aprovado, trar custos incalculveis e retorno duvidoso  se no nenhum. Pela ideia a ser colocada em discusso, distritos e povoados com mais de oito mil habitantes podero se habilitar ao status de municpio, necessitando apenas de uma aprovao atravs de plebiscito com a populao local. H pelo menos 410 cidades na fila que preenchem o requisito. Ocorre que a quase totalidade delas no ter condies sequer de sobreviver  base de arrecadao de impostos locais. Devero ser bancadas pelo Fundo de Participao dos Municpios (FPM), onerando pesadamente a conta da Federao e, por tabela, do contribuinte brasileiro. Para se ter uma ideia, no perodo entre 2001 e 2010 foram criadas 58 prefeituras que provocaram a abertura de 31 mil novos cargos pblicos e espetaram uma dvida de R$ 1,3 bilho no FPM. O Pas, que em 1988, s vsperas da aprovao da Constituio hoje em vigor, contava com 4.180 municpios, atualmente soma mais de 5.500 prefeituras, boa parte delas vivendo exclusivamente dos repasses federais e estaduais. Um despropsito! O Brasil alimenta uma fbrica indecente de municpios  implicando despesas em escala e subtraindo recursos vitais para o desenvolvimento nacional  com o nico e deplorvel objetivo de atender aos anseios discutveis de carreiristas da poltica. O inchao da mquina pblica, o apetite desmesurado por privilgios, a irresponsabilidade dos legisladores e o compadrio partidrio que h sculos divide o bolo entre os mesmos esto na raiz do problema. O que resta aos brasileiros  torcer para que a sensatez prevalea no momento da votao de tamanho disparate. Do contrrio, a conta vir pesada no bolso de cada um de ns.
